Pular para o conteúdo
ROBERTA LARAPsiquiatria

TDAH em crianças e adolescentes

O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento marcado por desatenção, hiperatividade e impulsividade acima do esperado para a idade. O diagnóstico é clínico: exige que os sintomas apareçam em mais de um ambiente — casa e escola —, persistam por pelo menos seis meses e causem prejuízo real no aprendizado ou nas relações.

O que costuma aparecer

Sinais e apresentações

  • Desatenção

    Dificuldade de sustentar a atenção, parecer não escutar quando falam com ela, perder materiais, esquecer tarefas e evitar atividades que exigem esforço mental contínuo.

  • Hiperatividade

    Inquietude constante, dificuldade de permanecer sentada quando é esperado, agitação motora e a sensação, descrita por muitos pais, de que "não desliga".

  • Impulsividade

    Responder antes da pergunta terminar, dificuldade de esperar a vez, interromper conversas e agir sem considerar as consequências.

  • Impacto funcional

    O critério que diferencia o transtorno do temperamento: os sintomas precisam atrapalhar o aprendizado, a convivência ou a autoestima da criança.

Como é feito o diagnóstico de TDAH em crianças

Não existe exame de sangue, tomografia ou teste isolado que feche o diagnóstico de TDAH. A avaliação é clínica e se constrói a partir da história do desenvolvimento, da observação da criança e de informações de mais de uma fonte.

Na prática, isso significa conversar com a família sobre gestação, marcos do desenvolvimento, sono, alimentação e comportamento em casa; reunir observações da escola, que enxerga a criança em um contexto que os pais não veem; e avaliar a criança diretamente.

Uma parte importante do trabalho é o diagnóstico diferencial. Desatenção e agitação também aparecem em quadros de ansiedade, em dificuldades de aprendizagem específicas, em privação de sono, em situações de estresse familiar e em algumas condições clínicas. Concluir por TDAH exige descartar essas possibilidades.

O papel da escola na avaliação

A escola costuma ser quem primeiro percebe o problema — e frequentemente é ela quem sugere a busca por avaliação. Relatórios de professores e da coordenação são material clínico de valor real, porque descrevem o comportamento em um ambiente estruturado, com demandas de atenção sustentada e convivência com pares.

Quando há um relatório escolar disponível, vale trazê-lo à consulta. Quando não há, é comum solicitá-lo durante a investigação.

Quando a medicação é indicada — e quando não é

Nem todo caso de TDAH tem indicação de medicação. A decisão depende da intensidade dos sintomas, da idade, do grau de prejuízo funcional e da resposta às intervenções não farmacológicas.

Em quadros leves, o manejo pode se concentrar em orientação à família, adaptações escolares, organização de rotina e sono, e psicoterapia. Em quadros moderados a graves, o tratamento medicamentoso costuma entrar como parte de um plano mais amplo — não como substituto dele.

Quando há indicação, a proposta é discutida com a família antes do início: o que se espera, o que monitorar e como será o acompanhamento.

Psiquiatria infantil e neuropediatria no TDAH

O TDAH é uma condição avaliada tanto pela psiquiatria da infância e adolescência quanto pela neurologia infantil. As duas especialidades têm formação para diagnosticar, e o encaminhamento entre elas faz parte da boa prática clínica.

A diferença tende a aparecer na condução. Quando o quadro envolve sinais neurológicos, epilepsia ou atrasos motores associados, a avaliação neurológica é central. Quando envolve comportamento, humor, ansiedade, sono e relações — que acompanham o TDAH com muita frequência —, o acompanhamento psiquiátrico infantojuvenil costuma ser o caminho.

Na maior parte dos casos, o que funciona é a rede: psiquiatria, neurologia quando indicada, psicologia, escola e família trabalhando com a mesma leitura do caso.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns

Meu filho não presta atenção na aula. É TDAH?
Pode ser, mas não necessariamente. Desatenção na escola também aparece em ansiedade, dificuldades de aprendizagem, problemas de sono e questões emocionais. O que diferencia é o padrão: no TDAH os sintomas surgem cedo, aparecem em mais de um ambiente e persistem ao longo do tempo.
Com que idade o TDAH pode ser diagnosticado?
Os sintomas precisam estar presentes antes dos 12 anos, mas o diagnóstico costuma se tornar mais claro na idade escolar, quando as demandas de atenção sustentada aumentam. Em crianças pequenas, a avaliação exige mais cautela para diferenciar do comportamento próprio da fase.
Criança com TDAH precisa tomar remédio para sempre?
Não. O tempo de tratamento varia conforme a intensidade dos sintomas, a idade e a resposta. Muitos casos passam por períodos com e sem medicação, com reavaliações ao longo do desenvolvimento. A retirada, quando indicada, é planejada e acompanhada.
Preciso de um laudo para a escola. Como funciona?
Documentos escolares são emitidos após a avaliação, quando há diagnóstico estabelecido, e descrevem o que é necessário para as adaptações pedagógicas. O laudo não é o objetivo da consulta — é uma consequência do diagnóstico, quando ele se confirma.
TDAH tem cura?
O TDAH é uma condição do neurodesenvolvimento e acompanha a pessoa ao longo da vida, com apresentações que mudam conforme a idade. O tratamento não é sobre cura, mas sobre reduzir prejuízos e ampliar a capacidade de funcionar bem na escola, no trabalho e nas relações.

Agendar uma avaliação

Consultório no Jardim Goiás, em Goiânia. Agenda online com confirmação imediata do horário.

MÉDICA · CRM-GO 16006 · RQE 11832 · RQE 13317